sexta-feira, 26 de junho de 2009

2ª Amostra Lúdica Potiguar - 27 e 28 de junho

Se realizará no período de 27 a 28 de junho, das 10 h às 22 h, a 2ª Amostra Lúdica Potiguar, no Norte Shopping, com entrada franca.

O evento é organizado pelo Grupo Trampolim da Aventura e terá em sua programação:

  • Mostra de jogos de tabuleiro modernos
  • Amostra de wargames
  • Puzzles
  • Mesas de RPG
O objetivo do evento é divulgar os jogos de tabuleiro para a comunidade, com exemplares de diversos países, entre eles Alemanha, França, Inglaterra e Estados Unidos, além de promover um grande encontro dos adeptos dos Rolling Playing Games de Natal.

Onde? Natal Norte Shopping Avenida Doutor João Medeiros Filho, 2395 Bairro Potengi – Natal, RN

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O Rio de Janeiro continua lindo

Quando se está longe, a gente compreende melhor as cores do nosso país, o nosso povo, os nossos costumes.

Marcello Quintanilha, que antes assinava Marcello Gaú, comprovou que essa afirmativa é mais do que verdadeira com o álbum Sábado dos meus amores (63 páginas, colorido, capa dura, R$ 39,00), da Conrad Editora.

Morando a algum tempo em Barcelona, na Espanha, Quintanilha retrata diversas personagens brasileiríssimas, num sotaque carioca de ontem, ainda que atual, nas seis histórias em quadrinhos que compõem o já citado álbum. Algumas dessas histórias foram publicadas no Brasil, em revistas como a extinta General Visão.

Num tom prá lá de realista, o qual lhe rendeu o epíteto de “o Rosselini tupiniquim”, por Aldir Blanc, Quintanilha passeia nas asas de uma borboleta amarela, mostra o que uma superstição futebolística pode fazer com uma pessoa, expõe as marcas psicológicas que a escravidão deixou nos negros livres, conta como a criatividade de um coração apaixonado ajuda uma moça que está na alfabetização para adultos, brinca com os momentos nos quais a gente deixa a sorte escapar e finaliza com uma pendenga entre um policial e um “amarra-cachorro” de circo.

Escolher a história preferida de Sábado dos meus amores é complicado, mas confesso que “De como Djalma Branco perdeu o amigo em dia de jogo” foi a que mais me tocou. Tenho minhas superstições e sei o quão desagradável é quando alguém as viola.

O tema “futebol”, aliás, é comum nas obras do Quintanilha. Em Fealdade de Fabiano Gorila, por exemplo, ele homenageou o seu pai, que foi jogador de futebol no Rio de Janeiro, na década de 1950.

As histórias do Quintanilha retratam um Brasil com um quê de estética do cinema marginal, de Rogério Sganzerla e Julio Bressane, misturado com a sutil poetização da realidade, presente nos filmes de Vitório De Sica.

Há homens pançudos, crianças banguelas, mulheres de bobs no cabelo, pessoas iletradas, enfim, tudo o que não se vê em algumas HQs nacionais, pasteurizadas, que optam por copiar o modelo que vem de fora.

Texto publicado no Plog do Patrício Jr. em 24 de junho de 2009.

terça-feira, 23 de junho de 2009

A angustiante arte de crescer

Seja numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos ou numa grande capital brasileira, crescer é uma aventura. Aventura essa repleta de nuances tragicômicas. Expor a transição da infância para a adolescência e dessa para a vida adulta pode ser terrível para a maioria de nós, pois nos força a encarar todas as situações pelas quais passamos. No entanto, ao refazer esse trajeto, temos a chance de combater fantasmas e recordar momentos bons. Craig Thompson teve a coragem necessária para escrever e desenhar uma das mais sensíveis graphic novels sobre a arte de crescer: Retalhos (Blankets).

Em Retalhos, Thompson narra a sua infância pobre (teve que dividir a cama com o irmão mais novo durante alguns anos, o que rendeu algumas brigas e muita diversão também), a sua relação com a Igreja (com medos, culpas, dúvidas), a sensação de ser o “freak” da turma e de não se sentir parte da realidade ao seu redor, a amizade e o frustrado romance com Raina, o término do colegial, a sua partida de casa e o retorno após apostar no que queria e melhor sabia fazer: desenhar. E em todos os momentos da sua vida, teve a neve como companhia, na qual deixava marcas profundas que durariam um breve momento.

Ao ler Retalhos, uma sensação familiar me envolveu, isso porque o texto e a narrativade Thompson são similares aos do mestre Will Eisner. Os personagens são retratados com uma sensibilidade ímpar, e não tem como ficar indiferente ao carinho que ele nutria pelo irmão menor – apesar de se culpar pela sua omissão em situações delicadas, fazendo o irmão passar por experiências constrangedoras – e por Raina, seu primeiro amor, que lhe fez a colcha de retalhos que batiza a obra.

Publicado pelo selo Quadrinhos na Cia., da prestigiada editora Companhia das Letras, Retalhos (592 páginas, P&B, R$ 49,00) ganhou prêmios importantes, como o Eisner e o Harvey (2003), e também o prêmio da crítica do Festival de Angoulême (2005).

Outros quadrinistas contemporâneos a Craig Thompson que escreveram graphic novels autobiográficas foram: David B. (Epiléptico), Alison Bechdel (Fun Home – uma tragicomédia em família) e Marjane Satrapi (Persépolis).

Todas essas graphic novels merecem ser lidas e, além disso, são títulos para se ter na estante e passar a vista de vez em quando.

Texto publicado no Asfixia em 22 de junho de 2009.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Fotos do lançamento da Perigo Iminente

Eu, Flávia, Adriano e Fernando Mineiro
Flávia, Gabriel e eu HQ que Gabriel fez exclusivamente para a Perigo Iminente
O Kit
Apesar de ter caído um dilúvio em Natal, muita gente prestigiou o lançamento da revista Perigo Iminente, que teve distribuição gratuita (junto com o livro com a conferência de Manoel Dantas), e contou com o apoio da FAPERN e do Governo do Estado do Rio Grande do Norte.

domingo, 21 de junho de 2009

Lançamento da revista Perigo Iminente

Lançamento da revista Perigo Iminente, na Livraria Siciliano do Midway Mall, nessa segunda feira, dia 22, às 19h!!!!!!!!!!!! A revista reúne vários artigos de diversos profissionais, entre eles jornalistas, publicitários, intelectuais e artistas, que escreveram como será Natal daqui a 50 anos.
O desenhista Gabriel Andrade participa dessa publicação histórica com 7 páginas de sua arte em quadrinhos.

Porque ter um dedo a menos fez diferença

Rich Koslowski verbalizou o que quase todos nós sempre tivemos curiosidade em saber quando criança: por que os personagens animados da Disney e da Warner geralmente eram retratados com um dedo a menos nas mãos?

Narrado em forma de documentário sensacionalista para a TV, Três Dedos – um escândalo animado (140 páginas, P&B, R$ 39,90), de autoria do já citado Koslowski, lançado no mês de maio, pela Gal Editora, colhe depoimentos de vários “animados” aposentados, como Millie Marsupial, Engasginho, Janota Jr., Pernalouca, entre outros, sobre a meteórica carreira de Rickey Rat, capitaneado pelo cineasta e produtor Dizzy Walters, e o boato de um possível ritual a qual os animados deveriam ser submetidos caso desejassem o estrelato.

O roteiro é bem amarrado, fazendo uma paródia com o início da história da sétima arte, passando pela transição entre o cinema mudo e o falado, os estúdios que despontavam (“Warmer Brothers”, a MGM), os astros e estrelas, os casamentos arranjados, as ligações de alguns astros com a política e com as causas sociais, as primeiras animações e o boom de cartoons que surgiu entre as décadas de 1930 e 1960.

Ao longo da história, vamos deparando-nos com uma porção de referências, como cartazes de filmes dos Irmãos Marx e de Buster Keaton, audiências no Senado para averiguar o chamado “ritual” – que nos remetem à subcomissão de investigação do Congresso, pelas quais passaram as editoras de quadrinhos em meados da década de 1950, encabeçadas por Frederic Werthan, onde vários desenhistas, roteiristas e donos de editora foram convidados a prestar depoimento –, e os assassinatos de John Kennedy e Martin Luther King, e o suposto suicídio de Marylin Monroe, todos interligados ao apoio desses três aos “animados”.

Três Dedos ganhou o Prêmio Ignatz de Melhor Graphic Novel de 2002 e foi uma aposta certeira da Gal Editora, a qual teve como primeiro lançamento o álbum Filósofos em Ação, e que promete lançar outros títulos underground, para um público que curte HQs autorais e cabeça, com um leve toque de ironia. A editora já anunciou Box Office Poison, de Alex Robinson (o qual será batizado de Fracasso de Público) e Filósofos em Ação – vol.02, da mesma dupla do volume 1, Fred Von Lente e Ryan Dunlavey.

Há um vídeo que a Gal Editora disponibilizou no YouTube, apresentando o álbum.

Texto publicado no Asfixia, no dia 20 de junho de 2009.

sábado, 20 de junho de 2009

Gabriel "Actraiser" Andrade em Aliens

Gabriel está encantando aos poucos os nerds norte-americanos. Desde que foi agenciado pela Impacto já conseguiu alguns trabalhos, e o mais bacana foi a série Aliens, publicada pela Dark Horse. Aqui está uma página dupla pra vocês babarem, embora não apareçam os amigos da cabeçorra comprida.

Chico Xavier em Quadrinhos

Uma bela homenagem a Chico Xavier!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Copacabana vem aí...

A editora Desiderata vai lançar mais um bom quadrinho nacional no mercado. Está programado para o final de maio e o início de junho o álbum Copacabana, de autoria do Lobo (roteiro) e do Odyr (desenho).

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Mercado de Petrópolis Convida

Venho convidá-los a dar um pulinho no Mercado de Petrópolis, nessa quarta, dia 20 de maio, para inauguração dos seguintes espaços: SEBO CATALIVROS SEBO LISBOA Pub Papo Furado (do Jairo, da ex-Kriterion) Sala Cineclube Natal Oficinas de artes William Galvão E para a feira de artes e antiguidades e relançamentos de vários livros da editora Sebo Vermelho. A GHQ estará por lá, dentro da feira, na praça de alimentação, das 14:00 às 20:00. Estou preparando umas promoções bacanas, válidas somente para hoje, dia 20. Da mesma forma, estou selecionando filmes e documentários raros e/ou difíceis de se conseguir, da minha coleção particular de dvds, e os venderei por um preço bem em conta. Outro aviso importante: Wanderline, Miguel Rude e R. Rodrigo estarão por lá também, fazendo caricaturas na hora, por R$ 5,00. Quem também estará por lá é Tupayba, do Sebo Reino do Amanhã, com uma porção de quadrinhos, e Marcelo (Velvet), com seus lindos ímãs de geladeira e também fazendo um queima de cds. Quem aparecer só terá a ganhar.

sábado, 16 de maio de 2009

2ª Maratona de Oficinas de Desenhos em Histórias em Quadrinhos

De 15 até 30 de maio estarão ocorrendo oficinas de desenho, coordenadas pelos membros do GRUPEHQ, para auxiliar especialmente aos jovens artistas que queiram participar do Prêmio Moacy Cirne de quadrinhos.

Essas oficinas tem o apoio da Fundação José Augusto e são gratuitas.

O Prof. Luiz Elson solicita aos participantes a doação de HQs para a Gibiteca Potiguar.

Clique na imagem acima para saber todos os locais e datas das oficinas.

A partir do dia 15 até o final desse mês de maio, quem for ao Norte Shopping, em Natal, pode conferir vários trabalhos, entre eles, HQs, ilustrações e caricaturas, dos grupos Quadro a Quadro e Soluções Criativas.

A entrada é gratuita e os artistas estarão por lá, das 10:00 às 22:00, fazendo caricaturas pra quem quiser, por um preço bem em conta.

domingo, 10 de maio de 2009

Pratt e Manara: porque um bom roteiro faz a diferença

Boas histórias sempre ficam na lembrança.

Um bom argumento, que tem um roteiro bem trabalhado e um desenhista que dê vida ao preto e branco das palavras, é o ponto de partida para uma obra singular.

O traço limpo e perfeito de Milo Manara, desenhista italiano que sabe como poucos retratar a anatomia feminina nos quadrinhos, muitas vezes encobre roteiros fracos, como os da série O Clic e do álbum Kamasutra. Embora a maioria dos seus roteiros seja de conteúdo erótico, isso não implica que a trama deva ser constantemente meia-boca.

Manara torna-se excelente quando encontra parceiros que conduzam o seu lápis a caminhos mais ousados, como Federico Fellini, em Viagem a Tulum, Hugo Pratt, em Verão Índio e El Gaucho, e Alejandro Jodorowsky, na inacabada série Bórgia.

Verão Índio foi uma das primeiras parcerias entre Manara e Pratt, escrito, desenhado e pintado no início dos anos de 1980, para a revista Corto Maltese, e uma das obras mais poéticas e menos explícitas do quadrinho erótico mundial.

Recém relançado no Brasil pela editora Conrad (152 páginas, capa dura, papel couché colorido, R$ 49,90), Verão Índio era um dos álbuns mais requisitados por quem aprecia quadrinhos de arte, haja vista a sua tiragem estar esgotada há anos – do tempo em que a editora Martins Fontes apostava em bons quadrinhos –, além de a edição portuguesa da Meribérica aparecer em leilões, pela internet, a preços pra lá de salgados.

Quando o verão índio estava para chegar, os ânimos dos silvícolas norte-americanos ficavam mais exaltados. Isso levou um guerreiro índio e um holandês, ambos da tribo de Squando, a estuprarem uma jovem branca puritana, sobrinha de um pastor com reputação duvidosa, do vilarejo de Nova Canaã, na conturbada América do século XVII.

Essa sequência que abre a referida obra tornou-se clássica, toda em narrativa visual, cujo clímax é o barulho da espingarda de Abner, que atira duas vezes para matar e escalpelar os aproveitadores da sua amada.

A partir desse prólogo trágico, somos apresentados à “mulher-demônio”, a senhora Lewis, e aos seus outros filhos, os meio-irmãos de Abner.

Dos milharais, os índios da tribo de Squando veem o movimento na casa da senhora Lewis e resolvem partir para a desforra.

As cenas de luta entre índios e brancos são belíssimas, pois a aquarela de Manara dá um quê de requinte aos combates sanguinolentos.

E quando tudo parecia estar se resolvendo, velhos segredos são revelados e, dessa vez, os brancos expiam suas consciências pesadas.

O que é mais explícito em Verão Índio é a vergonha de um continente pela falsa moral de quem se dizia o “civilizador”.