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divulgação dos artistas do
traço e dos roteiristas
brasileiros e estrangeiros,
como também de sugestões de
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terça-feira, 21 de abril de 2009
A Editora Agir dá continuidade a sua coleção Grandes Clássicos em Graphic Novel com esse lançamento do mês de abril: O Pagador de Promessas, antológico texto do genial Dias Gomes quadrinizado por Eloar Guazzelli.
Mais um ponto para a Agir e para o quadrinho nacional.
Dos 8 aos 9 anos, Giovana cursou desenho clássico com os professores Gilvan Lira e José Veríssimo. Aos 13 anos, retomou algumas aulas de desenho clássico com os mesmos e logo após conheceua técnica do estilo mangá, no curso de Veríssimo, tendo aulas posteriores somente nesse estilo. Em 2006 e 2007 participou do evento Saga de Entretenimento, desenhando caricaturas. Em 2007 iniciou o seu próprio curso de mangá, dando continuidade nos anos de 2008 e em 2009, nas dependências da Dragon´s Place.Participou da exposição A arte no traço dos artistas potiguares, ano passado, no Espaço Agência Cultural SEBRAE, no Natal Shopping. Atualmente está produzindo uma HQ independente.
Giovana também faz, sob encomenda, retratos, caricaturas e ilustrações.
Para ver mais desenhos da Giovana, basta clicar aqui.Quem estiver interessado em fazer aulas de mangá, o telefone pra contato é: 8872-7212
O pessoal da Subversosrenovou o contrato com a prefeitura de São Paulo para a edição de mais 3 números da revista.
Eles já estão selecionando material para a edição #4.
As especificações são: Formato A4 (21 x 29 cm) e temática de "Cotidiano Urbano".
Toda e qualquer pessoa interessada em colaborar pode enviar HQs, tiras ou ilustrações (individual ou em grupo - não precisa ser material inédito), em qualquer gênero, estilo e experimentações. Para a edição #4, Akira Sanoki, Alexandre Manoel e Igor Shin planejam 52 páginas (miolo p/b e capas coloridas - podem enviar material colorido, mas de uma página somente) e tiragem de 3.000 exemplares (distribuidos gratuitamente), além disso, fizeram uma parceria com o site www.impulsohq.com.br que vai distribuir camisetas e botons aos autores selecionados!
Os interessados podem enviar material para seleção até o dia 14 de junho, através desse e-mail: revistasubversos@gmail.com
Essas action figures são meu sonho de consumo.Prováveis presentes de Natal, já que as do Mesmo Delivery devem ser postas à venda na Comic Con de San Diego desse ano.
Os desenhistas potiguares ficaram conhecendo o rapaz quando o então ilustre desconhecido ganhou o primeiro lugar na segunda edição do concurso Desenhe a Prosa e a Poesia Potiguar, em 2007, concurso esse idealizado por mim (Milena) e promovido pela GHQ em parceria com a Editora Conrad.
De lá pra cá, Gabriel só melhorou e encantou a todos com seus desenhos.
O talento começa a ser reconhecido lá fora. Gabriel foi contratado para desenhar algumas páginas de títulos da Wildstorm e também duas páginas da série Batman Confidencial, da DC Comics.
Quem estiver curioso para ver mais desenhos do Gabriel Actraiser, basta acessar o seu blog, e aí perceberá que não estou elogiando à toa.
Eu já havia mencionado aqui que o meu conto Lâminas estava sendo adaptado para os quadrinhos por Marcos Guerra, com desenho e arte-final de Victor Negreiro. Pois bem, Guerra terminou o roteiro (62 páginas), Victor está firme e forte no desenho e Cobe se juntou à equipe, colorindo a HQ.
O trabalho está muito bonito. Deixo aqui duas páginas prontas para que vocês possam conferir, afinal eu sou suspeita para falar.
A tradução do texto para o inglês, vale salientar, é de Guerra.
Hoje, dia 11 de abril, acontece o SketchCrawl Natal, um evento no qual os desenhistas do RN - profissionais ou não - sairão pelas ruas da cidade, rabiscando em seus caderninhos de rascunho.
Tati Viana convida todos que quiserem participar do evento para se reunirem hoje, às 15h, na Praça André de Albuquerque, também conhecida por Praça Vermelha, Cidade Alta. Não precisa pagar nada. Só levar o caderno, ou papéis, prancheta, lápis, lápis de cor, hidrocor, aquarela… O que quiser! E também não precisa ser um DaVinci. Pode levar também a criançada e rabiscar à vontade!
A ideia é mostrar nossa cidade do ponto de vista dos artistas. Temos de desenhar o que vemos por lá. Por isso que escolhemos a Praça Vermelha, que foi praticamente onde Natal nasceu. E além de ter o lance histórico, tem as personalidades que vagueiam por lá, como skatistas e metaleiros.
Aproveitando esse momento "Spirit", estava revendo minha caixa de cards. Eu a comprei em 2006, no Mercado Livre. Vibrei muito quando a mesma chegou aqui em casa. Como os boxes são numerados, o meu é o 2.993 de 4.000 boxes existentes. Posto aqui alguns desses cards.
A estreia do personagem The Spirit, criação do mestre Will Eisner, deu-se no dia 2 de junho de 1940, nas páginas dominicais do Detroit News. The Spirit surgiu como uma paródia aos pulps policiais, aos filmes noir e também ao recém criado gênero de super herois.
Will Eisner seguiu criando e desenhando aventuras do Spirit até 1950, intercalando aí momentos em que ele mesmo traçava as linhas do personagem com anos em que o seu estúdio precisou substituí-lo.
Com as inovações narrativas que Eisner trouxe aos quadrinhos nas páginas de The Spirit – enquadramentos, jogo de luz e sombra, a brincadeira estética com o próprio nome SPIRIT –, o personagem tornou-se bastante popular e ganhou uma relevância ímpar no meio quadrinístico internacional. É referência ainda hoje.
Frank Miller sabia de tudo isso. E melhor do que ninguém, porque era amigo do Will Eisner. Mesmo assim ele insistiu em fazer uma adaptação do Spirit para o cinema, com a proposta de atualizar o personagem. Bom, se fosse uma atualização propriamente dita até que dava para encarar, mas o que Miller fez foi uma descaracterização do universo do Spirit, reinventando-o aos moldes da sua premiada série de quadrinhos Sin City.
Aqueles que já tiveram contato com alguma história do Spirit e estão familiarizados com o Comissário Dollan, a Ellen Dollan, o Ebony, a P´Gell, a Sand Saref, o Octopus e Central City, já ficaram chocados só em ver o trailer do filme do Frank Miller. A estética semelhante ao extremo ao filme Sin City – no qual Miller começou a brincar de diretor de cinema – fez com que muitos fãs torcessem o nariz e bradassem: LIXO!
É sempre bom a gente ver a obra toda antes de julgá-la, por isso confesso que baixei The Spirit – aqui em Natal não foi e acredito que nem será exibido nos cinemas – e o assisti na íntegra. Fiz mais, reassisti. E mesmo assim não consigo acreditar no que vi (e no que não vi). Cadê o Denny Colt brincalhão dos quadrinhos? Ebony nem sequer foi mencionado. O corpo do Octopus foi revelado. E o pior, o sol de Central City foi encoberto.
Uma adaptação, para ser considerada boa, precisa respeitar as características gerais da obra base, de seus personagens, de seu cenário. Não estou afirmando que precisa ser uma cópia fidedigna, pois há diferenças entre as mídias, mas que seja, no mínino, coerente.
Sou a favor das releituras, pois assim como os mitos, os super herois precisam ser atualizados de tempos em tempos, adaptando-se aos novos contextos e às novas gerações. Um belo exemplo de atualização de um personagem é o trabalho do Grant Morrison e do Frank Quitely em Grandes Astros Superman. É a mesma história contada de uma forma original.
The Spirit, o filme escrito e dirigido por Frank Miller, é um bom filme apenas para quem não conhece absolutamente nada do personagem da década de 1940. Miller força a barra com referências a Avenida Dropsie, Elektra e até a estética dos mangás, em algumas cenas. Lamentável.
Faço minha a força da imagem sarcástica desenhada e colorizada pelo J.J. Marreiro e pelo Flávio Teixeira de Jesus.
Os herois precisam ser reelaborados de tempos em tempos para que uma nova geração os assimile. É comum ver várias histórias do Superman, do Batman e dos X-men, por exemplo, atualizadas; algumas até com alterações de passagens clássicas, o que chega a causar ataques de asma, frio na espinha e dor de cabeça em fãs mais conservadores.
Com Hollywood investindo exorbitantes somas de papel moeda em roteiros que abrangem esse universo em particular, as grandes editoras norte-americanas (leia-se DC e Marvel) ficam afoitas para lançar novas HQs de velhos personagens, como é o caso de The Spirit - As Novas Aventuras(Panini Comics, 148 páginas, R$ 15,90), uma edição encadernada contendo oito histórias do personagem mais famoso do mestre Will Eisner, pelas mãos de quadrinistas do gabarito de Dennis O´Neil, Eduardo Risso, Sergio Aragonés e Mark Evanier.
Dessas oito histórias, cinco são da dupla criadora do atrapalhado bárbaro Groo – o errante, Aragonés e Evanier, que se perderam um pouco em algumas, mas acertaram em cheio com O Cruzeiro (arte de Aluir Amâncio e Terry Austin) e O retorno das múmias (arte de Paul Smith e Walden Wong), porque essas sim trazem um tom cômico exato presente nas investigações do detetive Dennis Colt, o Spirit. Na primeira, Spirit precisa embarcar num cruzeiro para ficar de olho numa mulher que ostenta um magnífico colar, e termina por presenciar mais de um crime; já na segunda, ele vai ao Egito escoltar múmias que seguirão para uma exposição num museu norte-americano, mas que estão nos planos de seu inimigo, o Octopus (olha o pessoal da Panini querendo apresentar um dos vilões da nova adaptação do Spirit para o cinema).
Tesouro de família é uma história bem contada pelo veterano Dennis O´Neil (Batman – o filho do demônio e O Sombra – 1941: o horóscopo de Hitler), com arte de Ty Templeton (Batman – Inimigos Mortais), que leva o Spirit para o cemitério, em baixo de chuva torrencial, atrás da herança de uma imigrante.
Glen David Gold (Carter e o Diabo) e Eduardo Risso (100 Balas, O Menino Vampiro) assinam Os Cem!, a trama mais noir da edição (e a única que não presta homenagem aos letreiros The Spirit), sobre uma quadrilha em que todos os membros se vestem como o Spirit, mas tem seus planos frustrados devido a um incidente no zoológico.
No entanto, o destaque dessa edição fica para a roteirista Gail Simone (Aves de Rapina, Mulher Maravilha), com a história As profundezas do coração gélido, que tem arte da dupla Phil Hester e Ande Parks (Superman e Batman), porque constroi uma trama original, preenchendo os balões apenas com símbolos, e ainda coloca o Spirit em situações prá lá de embaraçosas, tendo que recorrer inclusive à ajuda de mendigos.
No geral, esse especial leva nota 7,5, por trazer histórias muito boas intercaladas com outras ruinzinhas de dá dor, que extrapolam os clichês do detetive de terno azul e gravata vermelha.
Qualquer apreciador da nona arte sabe que Alan Moore é sinônimo de detalhe e preciosismo. Até quem nunca leu uma HQ na vida já ouviu falar de Watchmen e tem noção de que é uma história complexa. Um fã de Alan Moore tem consciência de que os roteiros do “brujo” foram sofrivelmente adaptados para as telas de cinema – faço uma ressalva quanto à V de Vingança, que ficou um filme mediano muito mais pela atuação de Hugo Weaving do que pelas mãos dos irmãos Wachowski –, por isso o temor que se abateu sobre a adaptação de Watchmen foi geral. Eu diria que chegou mesmo até a ser uma espécie de histeria coletiva. Depois, com notícias, imagens e teasers aparecendo em tudo quanto era buraco na internet, formaram-se dois grupos: os que torciam o nariz cada vez mais e os que apostavam no trabalho de Zack Snyder. Confesso que eu particularmente queria ver Watchmen no formato minissérie para TV – ficaria redondinho –, mas o diretor de 300 sempre teve o meu voto de confiança, mesmo anunciando que não iria incluir Os Contos do Cargueiro Negro – uma HQ inserida nas páginas de Watchmen, uma das primeiras experiências de metanarrativa na arte seqüencial – no corte final que iria ser exibido no cinema.
Após uma espera tortuosa, com direito à pressão da FOX e tudo o mais, Watchmen – o filme estreia no mundo inteiro no dia 6 de março do presente ano. Eu esperei alguns dias para assistir ao filme devido a uma inflamação na garganta, aproveitando para reler a HQ nesse período. Porém, toda a espera foi recompensada, pois saí do cinema maravilhada – dentro do cinema, então, vocês nem imaginam qual era o meu estado –, novamente parabenizando “as mexidas” de Snyder, que soube fazer um apanhado quase perfeito da trama principal da história de Moore, alterando apenas algumas situações que apenas cabiam na mídia história em quadrinhos (como a questão de alterar cores quentes e cores frias nos requadros, como também cada início e final de capítulo serem simétricos).
Vou começar falando sobre as escolhas dos atores, nenhum deles uma grande estrela da sétima arte, que souberam entrar de cabeça nos personagens: Billy Crudup/Dr. Manhattan, Jackie Earle Haley/Rorschach, Patrick Wilson/Coruja, Jeffrey Dean Morgan/Comediante e Malin Akerman/Spectral, ficando um desempenho mediano apenas para Matthew Goode/Ozymandias. Os Minutemen também foram muito bem caracterizados e protagonizaram uma sequência que já virou clássica, mostrando a passagem de tempo entre as décadas de 1940 e 1980, nos créditos iniciais, ao som de The Times They Are A-Changin´, de Bod Dylan (um dos compositores citados por Moore dentro da obra). Até o vilão Moloch, interpretado por Matt Frewer, e o psicólogo negro que cuida do seu caso na prisão, Dr. Malcolm Long – que teve uma participação bem mais enxuta do que nas HQs – estavam perfeitos. Outra bola na cesta foi o visual do Dr. Manhattan, que apareceu nuzinho pelado sem pudor algum, tal qual a versão desenhada por Dave Gibbons.
Quanto à trilha sonora, muito bem escolhida, contendo inclusive algumas músicas mencionadas na HQ, como Unforgettable, de Nat King Cole (propaganda do perfume Nostalgia, de Adrien Veidt/Ozymandias) e You’re My Thrill, de Billie Holiday. Alguns fãs criticaram o fato de Snyder ter colocado Hallelujah, de Leonard Cohen, na cena de amor entre o Coruja e a Spectral, mas na minha opinião ficou perfeito, haja vista Laurie ter sido o amor platônico de Daniel, que finalmente conseguiu tê-la nos braços pra valer (inclusive, pela HQ, supõe-se até que ele era virgem). Outras escolhas certeiras foram as versões de duas músicas do Dylan: All Along The Watchtower, por Jimi Hendrix, e Desolation Row, pelo My Chemical Romance, fechando o filme com chave de ouro.
Snyder foi deveras cuidadoso com o detalhismo de Moore, e mesmo omitindo algumas passagens, como a história completa de Rorschach (mostrando como ele encontrou o tecido com o qual elaborou a sua máscara), a relação entre o jornaleiro, o menino que lê Os Contos do Cargueiro Negro e a taxista lésbica Joey, o escritor Max Shea e outras personalidades desaparecidas na ilha de Veidt, a própria história de Veidt/Ozymandias e o monstro que destrói Nova York (que foi uma homenagem de Moore aos pulps e filmes de FC da década de 1950, uma vez que na HQ os letreiros do cinema anunciam o filme O dia em que a Terra parou), porque focou o filme numa trama bastante política – Nixon pedindo desculpas à União Soviética em rede nacional foi uma ótima tirada –, ainda assim estão lá diversas homenagens à HQ, como a questão da simetria, presente no capítulo 5.
Watchmen – o filme faturou 55,7 milhões de dólares em sua estreia nos EUA. O que é um bom começo.
Não sei se foi o filme que alguns fãs mais exaltados esperavam, mas foi o que Syner pode fazer e o que me deu um imenso prazer em assistir. Vou rever mais algumas vezes e esperar ansiosa pelo DVD.
Texto publicado originalmente no e-zine Asfixia, em 15/03/09.
sábado, 7 de março de 2009
Quando pensei em escrever esse texto, estava com vergonha de confessar que nunca havia lido quadrinho algum do Conan e nem trabalhos de seu criador, Robert E. Howard. Porém, logo no prefácio de Conan: nascido no campo de batalha, o desenhista Greg Ruth o fez. Pronto, era tudo o que eu precisava para admitir também a minha falta.
A edição de luxo (leia-se capa dura e papel couché com gramatura alta) que a Mythos lançou no mês de janeiro de 2009, uma compilação do arco Nascido no campo de batalha, que a mesma editora já havia publicado em capítulos esparsos nas revistas mensais Conan – o cimério (especificamente os números 0, 8, 15, 23, 45 e 46), foi um presente tanto para leigos como eu quanto para fãs do “bárbaro” mais audacioso da nona arte.
Nesse referido arco, Kurt Busiek demonstra um conhecimento amplo e preciso da cronologia de Conan (ele foi buscar referências até nas correspondências de Robert E. Howard), tanto que tomou a iniciativa de pensar em histórias da infância do personagem, nunca antes escritas. Greg Ruth, apesar de não estar familiarizado com os reinos da Hiperbórea, da Ciméria, da Aquilônia, de Khitai, ou com as disputas entre vanires e aesires, deixou-se guiar por Busiek e fez belas homenagens a John Buscema e a Frank Frazetta (há cenas onde Frazetta transborda e emoldura a violência), desenhando e pintando cada página com esmero absoluto, fazendo o arco e a parceria já nascerem clássicos.
A história começa muitos anos depois de Conan ter existido, elevando-o à condição de “lenda” (que é justamente o título do prólogo), quando um príncipe e sua corte peregrinam por terras inóspitas e se deparam com uma escultura de Conan. Eles estranham o fato de a estátua ter um semblante tão diferente de outros soberanos e o príncipe exige que o Wazir pesquise os antigos manuscritos para lhe falar sobre aquele homem retratado na pedra e o seu tempo de glória. A partir desse momento é narrada uma parte da infância e da adolescência de Conan. Ficamos sabendo em que condições ele nasceu, como desde pequeno ele impressionava as outras crianças e já emanava características de liderança, quem era o seu rival dentro da aldeia, quem foi o seu primeiro amor e a primeira vez que ele matou outro homem, além da sua relação com o seu avô, Connacht, o qual lhe contava muitas das suas aventuras de quando era um jovem guerreiro.
Em Nascido no campo de batalha a sensibilidade e a frieza das cenas de confronto, tanto em pequena quanto em grande escala, não podem ser separadas. Há beleza na rudeza de ser do guerreiro bárbaro.
Busiek e Ruth nos mostram que os olhos e as mãos que presenciam a plena ferocidade humana dilaceram-se internamente e preferem se isolar para não ter que expor a sua fragilidade (é, são as responsabilidades que o “poder” acarreta, mas que ninguém nasce psicologicamente preparado para encarar, inicialmente, de peito aberto); isso, ambos os quadrinistas já haviam enfocado em trabalhos anteriores, como Superman: identidade secreta (Busiek) e Aberrações no Coração da América (Ruth).
Para meu primeiro contato com as aventuras de Conan, não poderia pedir cicerones melhores.
A caprichada edição brasileira ainda traz um prefácio do desenhista Greg Ruth (no qual ele conta que passou horas assistindo ao History Channel, leu Tolkien, Robert E. Howard e muitas HQs do Conan para não fazer feio e compensar a sua pouca bagagem no gênero espada e magia) e uma entrevista exclusiva do editor Fernando Bertacchini com Kurt Busiek, além de inúmeros esboços e desenhos inéditos de Ruth para Conan.
A Bienal do Livro de Natal, que será realizada de 02 a 10 de outubro desse ano, terá algumas novidades. A primeira delas diz respeito ao local onde serão montadas as tendas e os estandes: a Praça Cívica da UFRN (palmas para a organização, que até que enfim escolheu um local mais democrático e menos abafado), e a segunda, mas não menos importante, é a participação de Mauricio de Sousa. Nós que apreciamos HQs, agradecemos, mas bem que a organização poderia trazer outros nomes do quadrinho nacional, como os gêmeos Bá e Moon, Olinto Gadelha e Hemetério (esses são vizinhos nossos), Shiko (tem uma porção de gente que gostaria de bater um papo com esse magnífico desenhista, que também é nosso vizinho), Fábio Lyra, Grampá, Daniel Esteves, Gian Danton, Wellington Srbeck, Octavio Aragão, Prof. Henrique Magalhães (também é nosso vizinho e é doutor em fanzine), etc. A lista é grande. Falta boa vontade.
Sou mestre em História (UNISINOS), poeta, contista, roteirista e letrista de HQs, editora do PortalGHQ, colaboradora do UniversoHQ e responsável pelo setor de quadrinhos da FLiQ - Feira de Livros e Quadrinhos de Natal.