O Portal GHQ é um espaço de
divulgação dos artistas do
traço e dos roteiristas
brasileiros e estrangeiros,
como também de sugestões de
leitura de HQs publicadas no Brasil.
Em seu blog, Leah Moore anunciou que seu pai resolveu lançar uma revista alternativa, publicada em sua cidade natal, Northampton, chamada Dodgem Logic: colliding ideias to see what happens.
A Dodgem Logic será uma publicação bimestral da editora KNOCKABOUT, velha conhecida do cenário da contracultura inglesa, com 40 páginas coloridas, a qual contará com a colaboração de artistas locais e amigos de Alan Moore.
Segundo Leah, a Dodgem Logic será “tão bonita e barata quanto uma arrasadora prostituta adolescente”, custando a bagatela de £2.50, e os colunistas regulares oferecerão deliciosas receitas de baixo custo, instruções simples para a criação de coleções de roupas e acessórios a partir de quase nada, além das colunas de Dave Hamilton, sobre meio-ambiente, o qual falará sobre uma arrojada experiência de viver sem dinheiro, e da desenhista e consorte de Moore, Melinda Gebbie (Lost Girls). As ilustrações ficarão por conta de Kevin O'Neill (Liga Extraordinária) e Savage Pencil.
“E o próprio Alan Moore também irá contribuir com o histórico das publicações subversivas, que tiveram origem no século XIII, com várias ilustrações e palavras de aconselhamento”, conta a empolgada Leah.
Dodgem Logic será lançada em novembro, junto com um CD gratuito, fazendo um apanhado dos mais de 50 anos do cenário musical de Northampton, e a capa será feita pela artista digital Tamara Rogers.
Falei ontem com o sempre gentil Dalton, da editora Conrad, e ele me informou que o lançamento mundial da visão de Robert Crumb para o livro do Gênesis será entre os dias 12 e 16 de outubro.
Posto aqui o primeiro capítulo para vocês.
Estou postando essa charge que Wanderline me mostrou hoje, sobre o encontro do Perna-batman com o Mic-aranha (é piada atrasada, mas como ficou massa, acredito que valha a pena divulgar).
O Hemetério é mesmo uma figura.
Esse irrequieto arquiteto e desenhista cearense quadrinizou sua primeira experiência em saltar de pára-queda. Como de costume, o bom humor está presente.
A plateia aguardava ansiosa o começo do cinedebate.
A organização do Goiamum achou melhor "colocar o debate na rua", ou seja, o que estava programado para ser realizado no Auditório do Museu de Cultura Popular, terminou sendo feito no Largo Dom Bosco.
E eis a mesa: Moacy Cirne, Milena Azevedo (eu) e Roberto Sadovski
Tinha gente muito, mas muito à vontade mesmo...
Márcio Coelho (GRUPEHQ), Moacy Cirne e eu.
Os fãs do Sadovski (que é um cara legal e ético!).
Hoje, dia 22 de setembro, às 20:00 horas, o Goiamum Audiovisual exibe, dentro da Mostra 24 Quadrinhos por Segundo, o filme DellaMorte DellAmore (aka Cemetery Man), dirigido por Michele Soavi, em 1994.
O filme é uma comédia de terror, baseada no romance homônimo de Tiziano Sclavi, escrito em 1991, que trazia uma aventura do "Detetive do Pesadelo", Dylan Dog, personagem que ele criou em 1986.
Ruppert Everett dá vida à Dylan Dog, que no filme se chama Francesco DellaMorte, e tem como ajudante não o Groucho, mas um gordinho chamado Gnaghi (interpretado por Francios Hadji-Lazaro, que além de ator é músico e toca num grupo de rock francês).
O trabalho de DellaMorte, no cemitério, é dar o adeus final às almas dos mortos, que retornam misteriosamente à vida após sete dias do seu padecimento.
Como o dvd de DellaMorte DellAmore nunca chegou ao Brasil, quem perder a exibição de hoje vai ficar gritando "Judas Dançarino" por um bom tempo.
Hoje, dia 21, tivemos a abertura da semana dedicada aos quadrinhos, dentro do Goiamum Audiovisual.
O jornalista Roberto Sadovski falou sobre cada um dos filmes que serão exibidos e apresentou a animação Mafalda, feita em 1982.
O Largo Dom Bosco ficou pequeno pra tanta gente que queria ver a Mafalda na telona.
Também estão expostos alguns quadrinhos da minha coleção (que tiveram que ficar um tanto quanto espremidos no estande), mas amanhã chegará outro estande e Alex de Souza vai expor algumas preciosidades também.
Destaque para as HQs que foram adaptadas para o cinema
Meus dois tesouros e obras marcantes do quadrinho nacional:
O Gavião do Riff e A Garra Cinzenta
Alexandre Louzada, ou simplesmente Alê, é um daqueles artistas que trabalha quieto e pouca gente conhece suas incríveis reinvenções de action figures. Ele faz customização desde os anos 1980 e hoje é um dos mais hábeis "customizadores" do Brasil, sempre trazendo ideias novas e bacanas, para deixar seus "bonecos" mais do que personalizados. Quem quiser ver sua arte, basta ira ao blog Bonecos do Alê.
Semana passada eu o entrevistei para o Portal GHQ. Para ver a entrevista, clique aqui.
Em seu blog, o Alê explica alguns processos de customização que fez.
A ideia original do Alê: customizar action figures dos Mestres do Universo com o "membro solto".
O meu amigo Beto Potyguara, criador do selo República dos Quadrinhos, está fazendo uma coletânea virtual de vários artistas do traço que produzem tirinhas. Assista ao pequeno vídeo e fique por dentro.
Os diretores sul-africanos vem atraindo holofotes e colecionando prêmios em diversos festivais, além de fazer ver a Hollywood que se pode fazer filmes com ideias originais e de baixo orçamento, que se tornam blockbusters com conteúdo, belíssimos filmes de arte ou comédias dramáticas realistas.
Ramadan Suleman (Fools e Zulu Love Letter), Zola Maseko, (Drum) Teddy Mattera (Max and Mona), Gavin Hood (Tsotsi e X-Men Origens: Wolverine) e o novato Neill Blomkamp (Distrito 9) – esses dois últimos deixaram a África e vivem nos EUA e no Canadá, respectivamente –, são alguns dos nomes que fizeram por onde se formasse um pólo de cinema e TV no 3° mundo pós-apartheid.
Distrito 9 (District 9 - 2009) é um desses filmes que chega de mansinho e começa a fazer um barulho infernal. É o primeiro longa de Neill Blomkamp, que antes se dedicava a produzir curtas e a fazer animações 3D, inseridas em algumas séries de TV, entre elas Stargate SG-1 e Smallville.
Na realidade, Distrito 9 foi baseado num curta que Blomkamp havia feito em 2005, chamado Alive in Joburg, e ganhou forma após toda a produção para a filmagem da adaptação do game Halo ter ido por água abaixo. O nome por atrás desse projeto era o de Peter Jackson, que mesmo descontente com o ocorrido, não se deixou abalar, e se lançou como produtor da nova ficção científica, estrelada por extraterrestres.
Uma investigação documental sobre o que ocorreu com o funcionário exemplar da MNU (Multi National United), Wikus van der Merwe, é a tônica de Distrito 9. Nessa investigação, ficamos sabendo que uma nave extraterrestre chegou à Terra e parou no céu de Johannesburgo, na África do Sul. As forças armadas foram acionadas eresgataram vários extraterrestres que estavam muito doentes e subnutridos. O estado de Johannesburgo criou um acampamento provisório para cuidar deles. Curados, eles não quiseram partir, posto que vieram à Terra como refugiados de seu planeta natal, e começaram a disputar a cidade (e a comida) com os humanos. Como nenhuma das grandes nações ficou interessada em ajudar a África, o governo sul-africano criou o Distrito 9, uma área exclusiva para os ETs (uma verdadeira favela extraterrestre), que logo foram apelidados de “camarões” (devido ao seu jeito de procurar comida), bem como foram implantadas placas com alerta de “somente para humanos” em várias partes da cidade. A MNU foi a empresa encarregada de cuidar do Distrito 9, mas os interesses da MNU eram outros, eles estavam interessados em fazer experimentos com os extraterrestres e descobrir o segredo de suas potentes armas.
Quando o Distrito 9 passou a ser uma ameaça para os humanos, devido à incessante busca por comida, roubos, assassinatos, prostituição desenfreada e o tráfico de armas que se estabeleceu nos seus arredores, uma equipe da MNU foi levada até lá para fazer um remanejamento do local, observando as irregularidades que por lá existiam, para assim realocar os “camarões” em uma outra área, o Distrito 10. Wikus van der Merwe fez parte dessa equipe, mas teve o azar de se contaminar com um fluido extraterrestre, o qual desencadeou uma mutação em seu corpo. A partir daí, passa a ser caçado pela MNU e se vê obrigado a se refugiar na área dos ETs.
Apesar de ser um filme de ficção científica, Distrito 9 não traz excessivos efeitos especiais mirabolantes, pois contenta-se em ser uma alegoria tragicômica da ordem sócio-política-econômica que vigorou na África do Sul.
Numa primeira leitura, mais abrangente, os ETs representam o estrangeiro marginalizado, que por não ter nada a oferecer, fica relegado ao esquecimento e só se torna motivo de preocupação do Estado quando desencadeia graves problemas sociais. E esses problemas são de ordem local, não internacional. Quem se “preocupa” com esse estrangeiro é alguém (ou alguma empresa) que percebe que pode tirar algum tipo de proveito dele, nem que para isso tenha que agir de forma clandestina. Humilhado, acuado, impotente, esse estrangeiro se deixar tutelar, pois entende que regressar ao seu país de origem equivale a assinar um atestado de “derrotado”, embora, em seu íntimo, saiba que a pátria mãe é quem lhe quer bem.
O estrangeiro que consegue vencer e se dar bem, em Distrito 9, é Wikus van der Merwe, um Afrikaaner, ou seja, um branco de origem holandesa (lembrar que a Holanda foi um dos países colonizadores da África). Wikus se casa com a filha do presidente da MNU e se torna um funcionário exemplar. Nesse contexto, sua condição de estrangeiro fica “camuflada”. Porém, ao se “contaminar” com o fluido extraterrestre, essa condição vem à tona, e os que antes lhe bajulavam, agora lhe querem exterminar. Logo, Wikus se torna aliado dos ETs, com a promessa de que eles podem “curá-lo” (fazer com que o estigma do “estrangeiro” desapareça nele).
Interessante notar que a maioria dos personagens de Distrito 9 é branca, e com isso podemos fazer mais uma leitura sobre os extraterrestres, os quais seriam uma metáfora para os negros. E mais interessante é perceber isso num país que vivenciou uma das maiores segregações étnicas da história da humanidade. De 1948 a1990, a minoria branca dominou da África do Sul, impondo leis e dividindo vexatoriamente a população entre brancos, negros e mestiços, estabelecendo limites e áreas especiais, reservadas apenas aos brancos, num regime conhecido por apartheid. Só com a ascensão de Frederick de Klerk ao poder é que os grupos contrários ao apartheid começaram a ter voz, culminando com a libertação de Nelson Mandela e sua posterior eleição à presidência da África do Sul, em 1994.
Essa segunda leitura é reforçada quando sabemos que o roteiro de Distrito 9 foi elaborado em cima de acontecimentos verídicos de uma área residencial da Cidade do Cabo, batizada de Distrito Seis.
Neill Blomkamp, que completa trinta anos no dia 17 de setembro, já anunciou que uma sequência de Distrito 9 deve ser produzida em breve, devido ao enorme sucesso do filme, que custou 30 milhões de dólares e já apurou no mundo todo, até o dia 7 de setembro (menos de um mês após seu lançamento), mais de 117 milhões de dólares.
A Sony Pictures informou que Distrito 9 deve estrear dia 30 de outubro nos cinemas brazucas. Eu não agüentei esperar, mas certamente o download me fez querer conferir esse inusitado blockbuster de ficção científica na telona.
Que mais diretores sul-africanos apareçam para o mundo, e que os diretores negros também tenham oportunidade de chegar aos grandes estúdios, assim como os brancos estão conseguindo.
O Goiamum desse ano será especialíssimo. Eu e a GHQ ficamos felizes com o convite para participarmos e pelo destaque dado aos quadrinhos.
Meu muito obrigada a Nelson Marques e Pedro Fiúza!
Natal tem evento de discussão sobre cinema, sim senhor. Em 2009, teremos a 3ª edição do Goiamum Audiovisual, com duas semanas maravilhosas, repletas de exibição de filmes, oficinas, palestras e debates.
Este ano, as ações serão desenvolvidas nos bairros históricos da Ribeira e do Centro, aproveitando espaços como a Largo Dom Bosco, o Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão, o SESC Centro, o Solar Bela Vista e a sede da FUNCARTE.
A outra novidade fica por conta da semana dedicada aos quadrinhos, que vai de 21 a 25 de setembro, com uma exposição de HQs (do meu acervo particular, junto com o de Alex de Souza), exibição de animações, documentários, fanfilms e adaptações de HQs para o cinema, além do cinedebate, com Roberto Sadovski e Moacy Cirne, sendo essa que lhes escreve, a intermediadora.
Para conferir toda a programação, basta ir ao site do evento: http://www.goiamumaudiovisual.org.br/novo/
Sou mestre em História (UNISINOS), poeta, contista, roteirista e letrista de HQs, editora do PortalGHQ, colaboradora do UniversoHQ e responsável pelo setor de quadrinhos da FLiQ - Feira de Livros e Quadrinhos de Natal.